"Porque nos sonhos entramos num mundo inteiramente nosso.Deixe que mergulhe no mais profundo oceano,ou flutue na mais alta nuvem."
Eu sinto falta da leveza na alma, do riso frouxo, solto, descompassado. Sinto falta da gargalhada rouca, dos amores loucos. Sinto falta de um espírito exultante em felicidade, sinto falta da alegria que me era tão sólida. Sinto falta de mim, do que fui e não sou mais. Sinto falta de tudo aquilo que ainda não viví aprisionado à solidão. A vida vai passando e a gente vai cansando de tudo o que não nos completa mais, querido. As roupas encolhem, o tempo se encurta, tudo muda e muda de novo até que um dia nós possamos aprender que nada é para sempre. Que contos de fadas não são reais, o príncipe tão esperado jamais chegará. E eu esperei. Esperei dias, meses, anos. Te esperei. Juro com toda a verdade que me cabe aqui, que te esperei até que o último átomo de mim fosse exaurido pela espera. Pelo aguardo de algo que jamais me apareceu. Mas com mudanças, e modificações mesmo que mínimas na rotina, a gente sempre amadurece. Endurece o coração, e firma os objetivos em solos pesquisados. A gente logo assimila que tudo tem que ser friamente calculado para que nada nos machuque. Não da mesma forma que fomos machucados um dia, em um passado quase esquecido. Mas acontece que mesmo diante de conselhos, dogmas, mantras, rezas brabas e intensas, a gente pisa em ovos, pisa na bola, chuta o pau da barraca e erra. Erra pelo simples fato de saber que só se aprende errando. Mesmo não aprendendo. Mesmo fechando a boca nos adventos da vida, e atemorizando-se diante das entempéries que nos assolam a calma. Mesmo que os anos se passem, o tempo ruja ao sabor da espera, que a rotina mude, se transforme, e os sentimentos reformulem-se. Não há maneira melhor de aprendizado que o erro. Porque ele, e somente ele nos coloca diante do que somos, e do que devemos ser. Porque errar é escrever a caneta, algo que se almeja entregar. É cerrar os punhos e se dispor a compreender, realmente, do que se trata cada adversidade que nos é imposta. E de tudo isso, o que trago para mim, de essencial, querido, é que eu errei. E errei feio em procurar em você, tudo o que eu poderia encontrar em mim.”
Éden Victor.

sempre fui inconstante e cheio de defeitos sem nexo e sem jeito sou falta de sentido e de coerência e de coesão e sem nenhuma pontuação nenhuma vírgula cabe em mim eu não tenho ritmo nem refrão eu sou vazio sem fim eu não aceito ponto final e se você perguntar se está tudo bem saiba que vai tudo…

Ai vem você com esse jeito todo… torto, estranho e irritante, que de certo modo, eu gosto, e como gosto.”
Coke e Blake  
Me falta tempo para celebrar teus cabelos.
Um por um devo contá-los e elogiá-los:
outros amantes querem viver com certos olhos,
eu só quero ser teu cabeleireiro.”
Pablo Neruda
Ela está em todas as coisas, até no vazio que me dá.”
Jorge Vercillo.
Tipo, eu gosto tanto de imaginar nós dois juntos.
Lugar sem comportamento é o coração.
Ando em vias de ser compartilhado.
Ajeito as nuvens no olho.
A luz das horas me desproporciona.
Sou qualquer coisa judiada de ventos.
Meu fanal e um poente com andorinhas.
Desenvolvo meu ser até encostar na pedra.
Repousa uma garoa sobre a noite.
Aceito no meu fado o escurecer.
No fim da treva uma coruja entrava.”
Manoel de Barros
As nossas falhas também poderiam cair no outono.”
Eu me chamo Antônio. 
A vida ensina.”
Capital Inicial.  
Bota mais uma dose desse desnatado leite, que hoje quero dormir embriagado com meu próprio sono. Canela em pó, por gentileza, e me dê também quatro a cinco biscoitos de leite. Põe na conta do meu tio, dono da bodega, na mesma comanda que você anotou, na terça passada, aquelas balinhas de yogurte 100 com uma caçulinha cheia de gás que me deixou cheio de energia para a pelada do fim da tarde. Fiz três gols aquele dia, ralei meu joelho naquela pedra de calçamento e tomei água, quando acabou o jogo, na casa daquela vizinha mexeriqueira. Foi tão bom quanto na segunda, quando toquei na campainha do vizinho e saí correndo, com meus coleguinhas, sem motivo algum. Na esquina passei trote perguntando se era da padaria e deslizei, correndo, por várias cacimbas de terra de construção. Foram bons demais aqueles dias há dez anos, quando brincava de pega-pega e paquerava as menininhas de vestidos retrô. Bota mais, bota, vai, quero ficar bêbado nessas lembranças, pensar que meu uísque é, na verdade, o mesmo leite com canela que me fazia dormir bem antes de mais um dia de criança elétrica dos anos 90. Pipa não soltava, computares usava pouco, mas correr que era bom, amigos, isso eu corria que era uma beleza. O mais veloz, o mais audaz, o mais chatinho, o dono da bola e dos balões. Bota mais, que as lembranças vem vindo, o sono vai indo e minha idade mais parece um número, só um número vazio e sem significado”
A.E.C Souza
Dentro de mim mora um grito.
De noite, ele sai com suas garras, à caça
De algo para amar.”
Sylvia Plath
Toda noite eu escuto um puta chiado no meu coração e eu sei que é o som da chacina de tudo que se atreveu a habitar no meu peito nesse dia. Toda manhã quando eu acordo, várias coisas novas nascem no meu ser. Eu sinto aqui dentro uma confusa reciclagem. Uma mistura de saudade do que eu fui ontem com uma curiosidade do que eu sou hoje se esfregando na angústia do que eu me tornarei amanhã.”
Teus Olhos Meus, por Caio Sóh.   
Você poderia ter ficado mais um pouco. Tipo uma eternidade.”
I miss you everyday. 
Pode brigar comigo, mas não vai embora. Fica perto.”
Tati Bernardi.    

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

Minha alma imortal,
Cumpre a tua jura
Seja o sol estival
Ou a noite pura.

Pois tu me liberas
Das humanas quimeras,
Dos anseios vãos!
Tu voas então…

— Jamais a esperança.
Sem movimento.
Ciência e paciência,
O suplício é lento.

Que venha a manhã,
Com brasas de satã,
O dever
É vosso ardor.

Ela foi encontrada!
Quem? A eternidade.
É o mar misturado
Ao sol.

Arthur Rimbaud